E para a merenda de hoje temos um prato bem servido de Phil Hine, mais precisamente, Aspectos da Evocação. Como vocês já estão íntimos do autor, vou poupar introduções. Então vamos lá!
Na resenha passada eu cheguei a comentar que Ramsey Dukes é uma grande inspiração para Phil, e isso fica bem aparente logo no primeiro capítulo, "Horrível" (Juro que não estou xingando haha). O autor pega aquele conceito criado por Dukes de personificar aquilo que o mago considera como defeitos ou limitações na forma de demônios. Se você leu SSOTBME, deve se lembrar de menções a esse respeito, mas como Ramsey só elabora devidamente no Pequeno Livro de Demônios do Tio Ramsey Dukes, onde ele defende que um dos principais motivos para não conseguirmos enfrentar nossas limitações e nos aperfeiçoarmos é porque os mesmos podem ser incrivelmente subjetivos. Um exemplo prático é quando pensamos em um mago que quer trabalhar com uma entidade, a primeira coisa que ele faz é ler tudo sobre o ser, sua aparência, personalidade, origem, feitos e do que gosta ou não. Em resumo, o mago vai vasculhar pra encontrar até se a entidade tem uma unha encravada no dedinho do pé. Ele faz isso pra se aproximar dela, tornando o mais palpável o quanto for possível, como se a entidade fosse um amigo que você toma cerveja toda semana. Afinal de contas, é mais fácil pedir ajuda a um conhecido do que do maluco que você viu passando na rua. A mesma coisa se aplica na personificação dessas imperfeições. Como meu chapa Sun Tzu diria: "Conheça o seu inimigo como a si mesmo e não precisa temer o resultado de cem batalhas". Então, quando se dá um rosto e uma identidade a esse defeito, ficará mais fácil entender como ele age na sua vida, os padrões que te sabotam e como lutar contra o desgraçado safado do demônio. Por isso que esse capítulo foi tão interessante, Phil se tranca em um sótão sozinho, apenas com alimento para sobreviver. Com a bagunça do sótão e seus excrementos, ele começa a montar estátuas de seus demônios, e quando tem uma gnose induzida pelo isolamento e exaustão, Phil nomeia e sigiliza seus demônios. É possível ver algo semelhante em Magia Pós Moderna, quando Patrick Dunn cria seus defeitos num espaço onírico e os destrói.
Finalmente chegamos no capítulo sobre servidores. Particularmente gosto da visão neutra que Phil os descreve. É perceptível que atualmente muitos magos acabam tendo uma visão distorcida, de forma que alguns acabam tratando servidores como deuses. Por isso acho que Phil é sensato quando descreve a elaboração, os prós, contras e exemplos de servidores. É interessante para um estudo inicial, só pra pegar o gostinho da coisa, mas eu não indicaria que magos com pouca ou nenhuma experiência usem como única referência. Mais pra frente vou passar um livro escrito por Phil e alguns outros magos que é realmente muito bom e completo. Aí você, meu caro leitor fala em tom de indignação "Ah dona Gato Caótico, você está se esquecendo do livro SS" Então eu vou ser franca e dizer que acho o livro péssimo, pra não dizer que não tem como aproveitar em nada, acho que é possível usar os tópicos para estudo a parte, mas das 147 páginas que tive os desprazer de ler, só encontrei encheção de linguiça e magia de receita de bolo. Infelizmente o cristianismo nos enganou quando disse que magia é o caminho fácil, pois ela exige estudo, prática e principalmente paciência.
Por último e não menos importante, temos o capítulo "Invocando Yog-Sothoth", afinal de contas, não é Phil Hine sem falar de Lovecraft. Hine descreve algumas experiências que obteve quando trabalhou com os grandes antigos. Sim, eu sei que são personagens da ficção, e é por isso que eu gostaria de falar um pouquinho sobre a palavra de Pop Magic. Vou dar uma resumida para que os livros de Phil não pareçam tão confusos. Lembra que eu falei um pouquinho sobre egrégora, que é aquela energia que uma crença em conjunto gera e assim ganha força? Por incrível que pareça, isso funciona com personagens ficcionais ou o que quer que seja. Não estou dizendo todo geek tenha um altar com a imagem do Batman com velas e incensos -apesar que alguns devem ter-. Mas a energia que se cria falando, pensando, lendo ou assistindo sobre o personagem, acaba gerando uma energia semelhante. Um exemplo perceptível, é quando um mago grava sigilos em lugares públicos, em suas páginas de redes sociais ou o que for. Esse mago está usando um princípio parecido. Pois ele sabe que quanto mais pessoas verem, mesmo que seja de relance, maior é a energia que será gerada. Então se apenas uma simples impressão faz isso, imagina como seria com personagens que as pessoas gostam e pensam tanto que compram bonecos, colocam fantasias e até chegam a fazer tatuagens! Sendo assim, Phil pega os elementos de Lovecraft, que já tem descrições de personagens sendo algo parecido com deuses e cultua como entidades reais. Enfim, o livro é curtinho mas beeeem interessante. É um dos melhores de Phil? Não. Mas de qualquer forma vale a pena a leitura!
O PDF desse livro e outros está nesse grupo de Telegram: Gato Caótico
Sabia que eu faço divinação com oráculo há mais de 1o anos? Eu faço jogos com tarot, jogo da moedas e runas! Também faço feitiços para amor, saúde, prosperidade e várias outras coisas! Caso tenha interesse me manda uma mensagem no Facebook, Morgana Soror para orçamentos!

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