domingo, 26 de fevereiro de 2023

Mago Pobre, Fudido e sem Linhagem, Pode?

    Brincadeiras a parte, eu realmente vejo a necessidade de falar sobre um assunto sério e geralmente pouco elaborado, esse problema não afeta apenas a magia do caos, mas uma imensa parcela de sistemas de magias e religiões atuais. Mas antes dessa treta, vou falar um pouquinho sobre pensamento crítico.

    O pensamento crítico é crucial para viver em sociedade. Ele é um pouco mais complicado do que simplesmente fazer uma cara azeda para algo e dizer que não gosta. É necessário uma análise profunda, observação que vai além do seu ponto de vista e um estudo no mínimo descente. Nietzsche é um dos melhores filósofos que elabora o tema. Infelizmente, muitos o conhecem apenas pela frase "Deus está morto" - Apesar que como sigo a magia do caos, eu diria algo como "Deus está vivo e ele trabalha para nós" haha- mas, apesar da fama, geralmente é uma frase mal interpretada, já vi pessoas falando que Nietzsche é o Kratos da filosofia, e o cara vai atrás dos deuses e mata eles - Aliás, uns anos atrás o Carlos Ruas fez uma animação muito engraçada sobre - assim como já vi gente falando que a frase significa que a humanidade não tem salvação e não sei o que mais. O filósofo, na verdade quer dizer que não precisamos de um ser acima de nós para ditar regras arbitrárias e absolutas onde o bem e o mal são claros como a água. Vivendo no mundo real, percebemos como tudo é muito cinza e o conceito de bem e mal é bem mais complexo no dia a dia. O desenvolvimento de um senso crítico adequado, ajuda a enxergar isso, ter empatia com o próximo e sair da sua pequena e insignificante bolha. Infelizmente, isso acaba sendo uma faca de dois gumes, pois a consciência sobre o mundo expande seus horizontes, dando a possibilidade de pensar independentemente e escolher a quem seguir, mas ao mesmo tempo essa consciência sobre a realidade pode ser muito desesperadora. Como Adão e Eva, que eram felizes no paraíso, mas foram expulsos por comer do fruto do conhecimento. Mas apesar de tudo, não existe coisa melhor do que ter a sensação de que você escolheu viver a sua maneira, e não porque te falaram para viver assim. Então, se você quer um conselho da boa e velha Gato Caótico, tenha a mente aberta e não fique satisfeito com qualquer merda que tem por aí!

    Se a minha memória não me engana, eu já cheguei a mencionar sobre o inconsciente coletivo, mas acho que não elaborei devidamente. Antes da teoria ser adotada - e reformulada - por magos e religiosos, ela é originária de Carl Gustav Jung, você já deve ter ouvido sobre esse cara por algum coach maluquinho tentando vender cursos sobre alguma religião meio seita. Mas na verdade, ele foi um psicólogo que formulou muitas teorias durante a vida, chegando a trabalhar com Freud, mesmo que depois de um tempo, suas linhas tomaram rumos diferentes. Jung é quase sempre usado como base por religiosos e magos que sentem a necessidade de estabelecer algum tipo de fundamento científico - por mais frouxos que sejam. Quando estava bem no começo, na época em que tinha acabado de sair do catolicismo, estava aprendendo a jogar tarot, me recomendaram alguns livros, mas um deles pode exemplificar perfeitamente sobre o que estou falando: Jung e o Tarô, que está no meu top 3 piores livros que já li. Em resumo, o livro é desnecessariamente complexo e quando não tá viajando na maionese, tá enchendo linguiça, mas só se usa Jung como "base" para a autora poder dizer que as merdas que ela escreveu tiveram um aprofundamento prévio. Como resultado, até hoje sinto uma leve vontade de mascar vidro, só de lembrar que perdi tempo lendo essa porcaria. Enfim, se você está aprendendo a jogar tarot e te recomendaram esse livro, você vai perder tempo, pois em 10 anos jogando oráculos, nunca usei sequer uma referência do livro.

    Mas, voltando ao assunto, eu vou falar um pouco sobre o inconsciente coletivo e a herança psíquica de Jung. Ambas as teorias são descritas no livro vermelho (vou colocar o PDF do livro no grupo de Telegram). O inconsciente coletivo, em resumo, seria aquela rede neural, que possui todo o conhecimento humano em forma de arquétipos. Seguindo esse conceito, certas "impressões" que se tem de algo ou alguém, que inicialmente parecem sem fundamento, são influência do tal inconsciente coletivo. A herança psíquica tem um conceito similar, porém, seria algo mais forte por se tratar de arquétipos que são transmitidas pela sua linhagem. Devo lembrar que ambas as teorias são incompletas. Jung não conseguiu completar esse estudo em vida, então ao ler o livro vermelho, você pode perceber que muita coisa fica no ar. O que, infelizmente é um prato cheio para os doidinhos-maluquinhos que querem vender curso haha. Na magia e religião, essa teoria já existia bem antes de Jung, mas nunca levou um nome em si e também existem muitas variações, mas geralmente é uma desculpa esfarrapada de eugenia. E Jung acaba sendo muito utilizado para dar um tipo de justificativa plausível para ser racista, misógino e capacitista. Um exemplo que essas merdas são bem antigas, é a própria bíblia, em Êxodo 34:7 "Que guarda a benevolência para milhares; que perdoa a iniquidade, e a transgressão, e o pecado; que não tem por inocente o culpado; que visita a iniquidade dos pais sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos, até a terceira e quarta geração." Ou no espiritismo, onde você tem uma espécie de "Karma" - eu coloco aspas, pois o karma na visão ocidental é distorcido para um caralho em comparação do conceito de karma original - pois algum parente seu, sua vida passada ou um parente seu que você foi na sua vida passada, fez algo e não recebeu a devida punição. Um colega que cresceu no espiritismo passou por isso. Ele é negro, e nos centros espíritas em que frequentava na infância diziam que ele nasceu negro pois foi um escravagista em sua vida passada e por isso precisa "sofrer" como negro, para assim cumprir com o seu karma. Imagina uma criança escutando que deve aceitar todo tipo de racismo em prol da iluminação espiritual! Claramente não são apenas religiões com parcelas cristãs que acreditam nessa ladainha, mas é bem mais visível. Aí você me fala "Querida Gato Caótico, você está se contradizendo, pois em um outro post, você falou que seguia essa teoria!". Sim, eu realmente sigo a teoria até certo ponto, mas não acho que meus ancestrais/vidas passadas vão ter força o suficiente para me ditar o que fazer, ou influenciar minha vida de qualquer forma que seja. Eu acredito que o inconsciente coletivo existe, e a magia do caos o usa conscientemente para mais resultados, mas não acredito que eu tenha nascido com qualquer qualidade ou defeito que eu tenha "puxado" dos meus ancestrais. Tudo se baseia em criação. Ninguém nasce bom ou mal, burro ou inteligente. Todos são criados para tal, mesmo que sem querer. Apenas depende da pessoa, quando cresce, decidir se vai mudar ou não. Sim, a mudança é algo complexo e demorado, principalmente quando não se sabe como mudar, então de qualquer forma sempre é bom se consultar com um psicólogo. Apesar desse ser um blog voltado a magia, eu fortemente aconselho a não usar apenas magia para enfrentar certos traumas, pois são coisas delicadas, profundas e difíceis de se lidar.

    O problema é que esse tipo de lugar, sempre atrai pessoas vulneráveis por diversas razões. Muitas dessas pessoas precisam de um consolo que não conseguiram encontrar com ninguém, então, eles de maneira dócil as "acolhem". E quando menos percebem, a vidas inteira delas gira em torno de uma seita de eugenia. Essas pessoas vão se afastando do mundo real, com o sentimento de que são incompreendidas por outros e que possuem a "real verdade". Dessa forma, todo e qualquer tipo de senso crítico vai pelos ares, pois a emoção sempre acaba vencendo a razão e adotando uma "verdade" falha, isso é realmente algo muito triste, pois por mais que seja fácil de entrar, é realmente muito difícil de sair.
 
    Enquanto escrevia esse post, um rapaz que eu sigo, chamado Leonardo Pinheiro, estava contando suas experiências no espiritismo por rede social. Como se encaixava com o assunto, pedi que me contasse mais sobre:

 "Então, minha experiência com o kardecismo foi péssima, porém inúmeras coisas que ocorreram lá dentro eu mais presenciei do que fui vítima de fato, já que nos 4 anos que frequentei eu ainda não tinha me descoberto como bissexual e uma pessoa autista. O meu gatilho pra frequentar foi o mesmo de 90% das pessoas, eu tinha perdido uma pessoa muito importante e eu ainda era bem jovem e tinha várias dúvidas em relação a morte. Então minha tia e eu começamos a frequentar um centro espírita lá da tijuca onde morei muito tempo. No começo era mil maravilhas, pra falar verdade eu não tive problema algum lá dentro durante um ano inteiro, nessa época fiz uma cirurgia espiritual na minha perna esquerda e comecei a frequentar grupos de evangelização para jovens enquanto minha tia frequentava o de adultos. Com o gancho da evangelização, comecei a adentrar a fundo a literatura e mídia audiovisual espírita, nesse ponto eu já discordava de algumas coisas porém eu ainda gostava do ambiente e das pessoas. Mas a partir do segundo ano, tudo começou a mudar. Já tinha 15 pra 16 anos nessa época então me colocaram no grupo mais avançado com muito mais conteúdo pra evangelizar. Nessa questão, eu ia no horário da noite e as pessoas costumam ser atendidas mais ou menos no horário que eu ia, assim que eu saia as pessoas conversavam e geralmente os médiuns que ficavam para atender as pessoas também puxavam alguns assuntos. Esses assuntos chegavam desde culpar a vítima por um momento de abuso fisico e emocional até falar atrocidades sobre minorias e como eu tinha dito no twitter. Eles falavam com um sorriso e uma calma ardente sobre essas questões como se tivessem jogando a mais pura verdade absoluta pra uma pessoa já ferida emocionante por N questões. O que era mais horrível em tudo isso, era o fato de muita gente ter aceitado isso como real, se colocando como culpados buscando segundas chances pra "evoluir", já não me sentia bem de verdade. Por incrível que pareça a primeira pessoa que parou de frequentar o espaço foi minha tia, eu fiquei mais um ano, o que seria o último na verdade. Eu não sei exatamente o motivo de eu ainda ter ficado, mas ainda frequentava a evangelização e eu sempre fui muito curioso sobre vários assuntos e isso me levava a querer saber mais e mais, então me dediquei a isso, estudar e me embasar. Fiz pesquisas sobre questões com reencarnação e cartas psicografadas, evolução espiritual, pensadores kardecistas e nada fazia sentido, também li vários artigos ligando pessoas mortas em incidentes criminosos e várias pessoas horríveis pela história justificando mortes como karma e perdão espiritual. Lendo isso tomei a decisão definitiva de nunca mais frequentar esse local novamente, e assim eu fiz. Hoje em dia não moro mais na Tijuca e sim em Madureira, mas morava bastante perto do centro espírita, e sempre que passava por lá pra ir a escola ou até trabalhar ainda sentia energias péssimas já que me lembrava de tudo, a tal cirurgia espiritual não deu certo, sendo que tive que ir aos meios tradicionais depois, porém, como fizeram minha cabeça pra pensar que a culpa de não ter funcionado era minha eu acabei deixando pra lá por vergonha. Hoje frequento a religião de matriz africana que eles tanto demonizam, e me sinto bem mais seguro e acolhido por todes que frequentam. Foi uma experiência horrível, mas eu prefiro sempre falar sobre para que pessoas não passem pelo o que passei, do que deixar tudo em baixo dos panos e ter mais pessoas enganadas por essas pessoas sem nenhum pingo de amor, humanidade e caridade como dizem tanto ter e pregar."

    É um relato pesado, mas sincero. Você vê que esse tipo de coisa vai muito além da religião? Esse tipo de coisa vai te sugando aos poucos, com pequenas ações e palavras, até que você seja completamente engolido e se sinta culpado por coisas mínimas. Na grande maioria dos casos, eles não querem apenas sua fé, querem seu suado dinheirinho. Tiram de quem já não tem muito, é sempre algo sútil, coisas como, antepassados ou guias enviando mensagens sobre seu karma, que só serão revelados depois do bom e velho pix. E você dá o que eles pedem, para acabar com a culpa e a desgraça por algo que você nem chegou a fazer. A pior parte de tudo isso, é que esse argumento de merda, é usado para justificar atos criminosos. Aqui eu peguei um trecho de um post referente a tragédia da boate Kiss (vou colocar o post no grupo de Telegram):

    "Quem sabe se os Espíritos que desencarnaram na boate Kiss, por inalação de fumaça tóxica, foram aqueles que conduziram nossos irmãos judeus, poloneses e russos para morrerem nas câmaras de gás e nos fornos crematórios dos campos de concentração durante a segunda grande guerra mundial?".

    Imagina você perder seu filho em uma tragédia resultante da irresponsabilidade e ganância alheia, e ver alguém justificando tal ato como uma justiça karmica pois seu filho mereceu? Isso abre precedentes para todo tipo de conduta criminosa. Afinal, se seguirmos essa lógica infeliz, podemos ser racistas pois os negros são todos criminosos em suas vidas passadas, podemos estuprar e matar mulheres, pois em suas vidas passadas elas fizeram o mesmo, e por aí vai. Você entende como um simples post pode desencadear em um pensamento que flerta perigosamente com a eugenia e a misoginia? E eu nem cheguei a citar, certas comunidades que pregam o "amor ao próximo" mas são abertamente antissemitas. Esse tipo de comportamento que sempre parece inocente, escala para algo muito maior e perigoso.

    Eu sei que geralmente escrevo sobre livros, mas esse é um post que serve também como alerta, pois as pessoas citadas conseguiram sair dessa, mas existem aqueles que estão passando por isso e nem sabem, que ficam num ciclo eterno de sofrimento e desilusão por causa desses psicopatas que usam a religião e a vulnerabilidade alheia para lucrar e ter seguidores fiéis.

    Agora sobra uma questão: Se a herança psíquica e o inconsciente coletivo não tem força o suficiente para nos moldar, por que somos o que somos?

    Como eu falei antes, é tudo graças a criação. Mas como você sabe, minhas fontes não são apenas as vozes da minha cabeça, então vamos falar de um psicólogo que me ajudou a entender sobre o assunto, seu nome é Jean Piaget. Para escrever esse post, eu li o livro Psicologia e Epistemologia: Por Uma Teoria Do Conhecimento. Piaget não tem a mesma fama que Freud ou Jung, mas fez trabalhos maravilhosos na área da psicologia infantil. O autor deu apenas o pontapé inicial, mas é impossível falar que ele não quebrou certos estigmas - principalmente considerando que a maioria das pessoas esquecem que crianças, querendo ou não, são seres humanos. Quando li SSOTBME, percebi algumas referências de Piaget no conceito artista-cientista-religioso-mago e cheguei a trocar mensagens com Ramsey Dukes. E de fato, ele admite que teve influências de Piaget para escrever sua obra. Vou tentar dar uma resumida sobre o trabalho de Piaget, mas vou deixar alguns artigos que explicam melhor no grupo de Telegram, pois o livro em si é muito difícil de achar. Depois de muita busca, encontrei o livro em um sebo - Foi difícil de achar pois tentei achar livros do próprio autor, e não de outros analisando o trabalho do autor.

    Para Piaget, o desenvolvimento intelectual começa na infância - eu sei que hoje em dia é uma coisa meio óbvia, mas na época acreditava-se que só aqueles que já sabiam falar possuíam capacidades cognitivas - e crescer é uma forma de reorganizar a própria inteligência, de forma a ter mais possibilidades de assimilação, ou seja, quando você vai amadurecendo, você reorganiza sua inteligência para poder se adaptar a novos conhecimentos, dando um exemplo meio chulo, a nossa inteligência funciona como um organograma, que abre variáveis a cada novo conhecimento adquirido, pois o objeto de conhecimento oferece resistência ao assimilar, já que exige a reorganização. Para esse rolê todo, Piaget criou o termo "Equilibração", porque o cérebro passa pelo processo Equilíbrio (antes do novo conhecimento), Desequilíbrio (durante a assimilação do novo conhecimento) e Reequilíbrio (adequação do novo conhecimento). Para Piaget, todos passamos na infância por quatro fases de desenvolvimento do conhecimento; o estágio sensório-motor, o estágio pré-operatório, o estágio das operações concretas e o estágio operatório formal.

    No primeiro estágio, não são feitas ações, já se analisa a reversibilidade de ações e constituição de variações. É um estágio importante, pois com a noção de reversibilidade, já começa o desenvolvimento da lógica. Também é desenvolvido o interesse pelo outro, a inteligência pré verbal e a noção de tempo e espaço. No estágio pré-operatório, já é desenvolvido o pensamento com linguagem, inteligência prática, a socialização, a diferença entre o signo e o significado, uma introdução a moralidade e é desenvolvido o egocentrismo - para piaget, o egocentrismo nesse contexto tem o significado da criança perceber o ponto de vista do outro, a partir do próprio. No estágio das operações concretas, a criança já entende a reversibilidade de ações e pode operar de tal modo e possui inteligência operacional concreta, mas condicional. E por último, no estágio operatório formal, a criança já possui raciocínio formal e abstrato, pode realizar operações sobre objetos e enunciados verbais.

    No fim das contas, Piaget acaba mostrando que tudo depende da sua criação - Se você assim como eu, não se sentiu satisfeito com Piaget, recomendo Vigotski e Wallon, realmente são leituras valiosas - e quando você tem consciência disso, é muito mais fácil lidar com paradigmas que segue, mas não entende bem a razão, e assim, escolher conscientemente seguir ou quebrar. Por isso acho importante citar esse autor. Então, se quer outro conselho não solicitado da boa e velha Gato Caótico, você não merece sentir culpa ou resolver nada que você tenha feito na sua suposta vida passada e se você faz uma merda na sua vida atual, assuma a responsabilidade e resolva sem culpar os seus "Karmas".

    O livro  e os artigos que comentei no post estão nesse grupo de Telegram: Gato Caótico

    Sabia que eu faço divinação com oráculo há mais de 1o anos? Eu faço jogos com tarot, jogo de moedas e runas! Também faço feitiços para amor, saúde, prosperidade e várias outras coisas! Caso tenha interesse me manda uma mensagem no Facebook, Morgana Soror para orçamentos!



terça-feira, 3 de janeiro de 2023

Magia do Caos

    Sim, ele chegou, finalmente podemos contar com um bom livro de magia do caos, onde além do autor ser brasileiro, é também formado em psicanálise. Achei que não viveria para presenciar esse momento, meus caros leitores. Mas aí você, em tom revoltado me fala "Querida, Gato Caótico, o Peter Carroll e o tio Ramsey Dukes, dizem que magia e ciência não deve se misturar". Assim, em partes você está certo, mas na verdade eu vejo que o problema que ambos tem com essa temática é que esses escritores querem dizer sobre pessoas que sentem a necessidade de dar algum tipo de validação na magia, a descrevendo como se fosse uma espécie de "ciência não explorada". É um erro comum que Ramsey Dukes esclarece no SSOTBME. Se você acha que magia precisa de legitimidade na comunidade científica, acredito que ainda não entendeu bem o que é magia, meu pequeno gafanhoto. Porém, muitos magos - principalmente do caos - acabam estudando psicologia, filosofia, física e várias outras coisas porque mesmo que sejam tópicos diferentes, conhecimento em certas áreas são de grande ajuda no processo mágico em geral. E esse é o grande diferencial do livro.


    O autor, Luis Z. Siqueira, formado em psicanálise freudiana e fundador da primeira ordem de magia do caos do Brasil, o Clã dos Adeptos da Oculta Sophia - Caos, lançou o livro em 2021, junto com um tarot diferenciado e um jogo de moedas oraculares.

    Logo de cara, temos as apresentações, como o autor conheceu a magia do caos, sua origem e alguns termos comuns nela, achei notável, pois mesmo que seja o básico, a maioria dos magistas do caos sabem pouco a respeito desse tema. Tente perguntar a um deles a origem da magia do caos e é provável que muitos deles vão responder algo como "Ah... Começou com Austin Osman Spare... Acho que ele foi para umas montanhas lá pela Ásia...". Sabe, eu não os culpo, por alguma razão esse é um tema bem pouco explorado pelos autores, percebo que geralmente focam somente na prática.

    Outro capítulo bacana é o "Signos, Símbolos, Sigilos e Servidores", onde é demonstrado de maneira lúdica, a definição de cada um, por mais que seja uma coisa simples, pra muita gente é algo tipo "Ah, eu sei fazer mas não sei bem explicar". Caso você não se lembre a importância de tal, aconselho a voltar sete casas até o meu post sobre A Magia na Fantasia e Imaginação, onde falo um pouquinho sobre isso.

    Mais pra frente o autor traz uma introdução a psicanálise freudiana. Só para contextualizar, Freud foi um neurologista e psiquiatra, que ficou conhecido como pai da psicanálise, grande parte de seus trabalhos foi para explicar funções do cérebro, e um de seus mais importantes foi o "Projeto Para uma Psicologia Científica", que é discutido até nos dias atuais. É claro que mesmo atualmente sua teoria ainda tem lacunas, que aos poucos estão sendo preenchidas. No livro, o Projeto é descrito de uma maneira bem compreensível, considerando que me interessei pelo capítulo em particular, fui pesquisar e tive certa dificuldade no entendimento. O Projeto se trata principalmente de explicar funções do cérebro, unindo a neurociência, biologia, física e psicanálise, dessa forma, Freud explora o inconsciente e o sistema neuronal. De qualquer forma achei uma leitura muito proveitosa e se você se interessou no assunto vou colocar no nosso grupo de Telegram alguns artigos de pesquisadores do tema.

    Seguindo adiante, Z escreve a respeito das fases de Freud para chegar até a teoria do atual aparelho psíquico que conhecemos. Também gostei da maneira que ele fala sobre id, ego e superego (Ei, não se esqueça que geralmente magos tem uma definição de ego diferente daquela que é da psicanálise), pois como já tinha pesquisado sobre esse trio parada dura anteriormente, encontrei muitas matérias sensacionalistas e confusas. Por essa razão achei a descrição muito boa de cada um deles, principalmente considerando que existe uma larga discussão sobre, entre os magos em geral - e geralmente é uma puta viagem. 

    Um dos meus capítulos favoritos foi o "Creio, logo sou", onde o autor passa a real sobre crença e como a sua moralidade e pensamento crítico acabam sendo afetados pelo ambiente e cultura que você está estabelecido. Acho que gostei mais desse capítulo pois na mesma época em que o lia, havia uma discussão onde alguém dizia que povos descendentes de originários deveriam se sentir gratos pela colonização de seus ancestrais, pois antes de tal, faziam sacrifícios humanos. Depois disso, outras pessoas tentavam argumentar que esses sacrifícios não "eram tão ruins" pois eram feitos em poucas ocasiões muito específicas. E eu lembro de pensar "Isso não é o ponto!", na verdade o que deveria ser mostrado é que isso é apenas uma questão cultural e o genocídio de uma civilização claramente nunca deve ser justificável. Então se atualmente tivéssemos a cultura desses povos originários, provavelmente seria algo ok, assim como achamos ok tantas outras coisas na sociedade. E o autor expõe isso em seu livro com poucas palavras de forma simples e sem rodeios.

    Bem, eu falei mais da parte teórica, mas o autor também passa uma série de exercícios que são de muita ajuda e também a explicação de cada carta de seu tarot. Pessoalmente, não gostei muito do design do tarot, mas isso não tem nenhuma explicação além de preferência pessoal mesmo. De qualquer forma é um livro formidável e com diferenciais que até então quase não foram explorados. 


O livro juto do tarot estão a venda online e os artigos que comentei no post estão nesse grupo de Telegram: Gato Caótico

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segunda-feira, 19 de dezembro de 2022

Aspectos da Evocação

     E para a merenda de hoje temos um prato bem servido de Phil Hine, mais precisamente, Aspectos da Evocação. Como vocês já estão íntimos do autor, vou poupar introduções. Então vamos lá!

    Na resenha passada eu cheguei a comentar que Ramsey Dukes é uma grande inspiração para Phil, e isso fica bem aparente logo no primeiro capítulo, "Horrível" (Juro que não estou xingando haha). O autor pega aquele conceito criado por Dukes de personificar aquilo que o mago considera como defeitos ou limitações na forma de demônios. Se você leu SSOTBME, deve se lembrar de menções a esse respeito, mas como Ramsey só elabora devidamente no Pequeno Livro de Demônios do Tio Ramsey Dukes, onde ele defende que um dos principais motivos para não conseguirmos enfrentar nossas limitações e nos aperfeiçoarmos é porque os mesmos podem ser incrivelmente subjetivos. Um exemplo prático é quando pensamos em um mago que quer trabalhar com uma entidade, a primeira coisa que ele faz é ler tudo sobre o ser, sua aparência, personalidade, origem, feitos e do que gosta ou não. Em resumo, o mago vai vasculhar pra encontrar até se a entidade tem uma unha encravada no dedinho do pé. Ele faz isso pra se aproximar dela, tornando o mais palpável o quanto for possível, como se a entidade fosse um amigo que você toma cerveja toda semana. Afinal de contas, é mais fácil pedir ajuda a um conhecido do que do maluco que você viu passando na rua. A mesma coisa se aplica na personificação dessas imperfeições. Como meu chapa Sun Tzu diria: "Conheça o seu inimigo como a si mesmo e não precisa temer o resultado de cem batalhas". Então, quando se dá um rosto e uma identidade a esse defeito, ficará mais fácil entender como ele age na sua vida, os padrões que te sabotam e como lutar contra o desgraçado safado do demônio. Por isso que esse capítulo foi tão interessante, Phil se tranca em um sótão sozinho, apenas com alimento para sobreviver. Com a bagunça do sótão e seus excrementos, ele começa a montar estátuas de seus demônios, e quando tem uma gnose induzida pelo isolamento e exaustão, Phil nomeia e sigiliza seus demônios. É possível ver algo semelhante em Magia Pós Moderna, quando Patrick Dunn cria seus defeitos num espaço onírico e os destrói.

    Finalmente chegamos no capítulo sobre servidores. Particularmente gosto da visão neutra que Phil os descreve. É perceptível que atualmente muitos magos acabam tendo uma visão distorcida, de forma que alguns acabam tratando servidores como deuses. Por isso acho que Phil é sensato quando descreve a elaboração, os prós, contras e exemplos de servidores. É interessante para um estudo inicial, só pra pegar o gostinho da coisa, mas eu não indicaria que magos com pouca ou nenhuma experiência usem como única referência. Mais pra frente vou passar um livro escrito por Phil e alguns outros magos que é realmente muito bom e completo. Aí você, meu caro leitor fala em tom de indignação "Ah dona Gato Caótico, você está se esquecendo do livro SS" Então eu vou ser franca e dizer que acho o livro péssimo, pra não dizer que não tem como aproveitar em nada, acho que é possível usar os tópicos para estudo a parte, mas das 147 páginas que tive os desprazer de ler, só encontrei encheção de linguiça e magia de receita de bolo. Infelizmente o cristianismo nos enganou quando disse que magia é o caminho fácil, pois ela exige estudo, prática e principalmente paciência.

    Por último e não menos importante, temos o capítulo "Invocando Yog-Sothoth", afinal de contas, não é Phil Hine sem falar de Lovecraft. Hine descreve algumas experiências que obteve quando trabalhou com os grandes antigos. Sim, eu sei que são personagens da ficção, e é por isso que eu gostaria de falar um pouquinho sobre a palavra de Pop Magic. Vou dar uma resumida para que os livros de Phil não pareçam tão confusos. Lembra que eu falei um pouquinho sobre egrégora, que é aquela energia que uma crença em conjunto gera e assim ganha força? Por incrível que pareça, isso funciona com personagens ficcionais ou o que quer que seja. Não estou dizendo todo geek tenha um altar com a imagem do Batman com velas e incensos -apesar que alguns devem ter-. Mas a energia que se cria falando, pensando, lendo ou assistindo sobre o personagem, acaba gerando uma energia semelhante. Um exemplo perceptível, é quando um mago grava sigilos em lugares públicos, em suas páginas de redes sociais ou o que for. Esse mago está usando um princípio parecido. Pois ele sabe que quanto mais pessoas verem, mesmo que seja de relance, maior é a energia que será gerada. Então se apenas uma simples impressão faz isso, imagina como seria com personagens que as pessoas gostam e pensam tanto que compram bonecos, colocam fantasias e até chegam a fazer tatuagens! Sendo assim, Phil pega os elementos de Lovecraft, que já tem descrições de personagens sendo algo parecido com deuses e cultua como entidades reais. Enfim, o livro é curtinho mas beeeem interessante. É um dos melhores de Phil? Não. Mas de qualquer forma vale a pena a leitura! 


O PDF desse livro e outros está nesse grupo de Telegram: Gato Caótico

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sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

SSOTBME

    Ok, eu sei que já faz um tempinho que eu não posto nada, mas nesses dias eu abria meu notebook para traduzir o livro e ficava exatamente assim: 



    Os próximos dois livros já estão em português, então as próximas resenhas vão sair mais rápido.

    O livro de hoje é SSOTBME, de Ramsey Dukes, um carinha que vocês vão ouvir falar muito nesse blog, considerando que ele é um dos meus autores favoritos e, ao meu ver um dos mais revolucionários também. Só que vamos começar do começo. Lionel Snell, ou Ramsey Dukes, ou também Lemuel Johnston é um autor e filósofo formado em Matemática pela Universidade de Cambridge. Seus livros mais notáveis são o SSOTBME (Os Segredos Sexuais do Mago Negro), O Pequeno Livro de Demônios do Tio Ramsey e Como ver Fadas (infelizmente não, esse livro não é sobre alucinógenos haha). Honestamente, quando conheci o autor, não dava nada, considerando que achei esses títulos meio sensacionalistas. Mas não julgue o livro pela capa, já que ele faz basicamente um click bait com seus títulos. Dukes pega os conceitos de Spare, mas acrescenta uma boa parte filosófica e acaba se tornando um dos mais importantes nomes da magia do Caos. Você perceberá a sua influência principalmente em livros como Psiconauta e Prime Chaos. Particularmente achei que Phil Hine tentou dar uma resumida nos conceitos de Ramsey, com seu toque pessoal, mas se perde muita coisa importante da teoria.

    SSOTBME é diferente dos livros que escrevi até agora. É aquele tipo de leitura fora de série, quando você termina, ainda fica uns 15 minutos olhando pro nada, só tentando absorver o que foi dito. Já te adianto para não esperar nenhum exercício prático, mas um conteúdo filosófico sem igual, com direito a reflexões sobre o "eu" e a sociedade. 

    O primeiro capítulo vem com uma análise de como muitas vezes reprimimos o "mago" que existe em nós em prol do "senso comum" e a "racionalidade', ou seja, somos condicionados a escolher experiência comum ao invés da nossa própria, por mais despersonificadas que sejam. Ramsey observa que conviver em uma sociedade extremamente científica pode ser opressiva, já que somos treinados a ignorar nossos instintos desde criança. Lembro bem de quando tinha por volta dos quatro anos e do terror que era ir na casa da minha avó, por causa de terríveis silhuetas misteriosas que via, não uma ou duas vezes, mas sempre que a visitava. Não importa o quanto tentava investigar as causa, nunca achava uma solução plausível. Até que um dia criei coragem e contei para a minha família, que se dividiram em duas opiniões; ou eu era mentirosa, ou louca. Era inconcebível para o pensamento racional deles aceitar que uma criança ignorante"vê" coisas imateriais -ou que eles não conseguiriam ver-. Então depois de muito tempo tentando me convencer, finalmente aprendi que eu estava mentindo e que aquelas silhuetas eram só minha fértil imaginação. Com o tempo negando a existência delas, aos poucos parei de vê-las. Nesse caso o pensamento científico negou o desconhecido até que ele fosse excluído.

    Depois de Dukes nos dar o gostinho do que estava por vir, ele nos apresenta o conceito de Cientista-Religioso-Artista-Mago, que são quatro facetas que existem em cada um de nós. Gosto de pensar que são nossos divertidamente haha. O artista floresce na primeira infância, e ele engloba nosso senso estético, nossa intuição, criatividade e imaginação. Na pré adolescência, o religioso ganha espaço, é a parte da moral, socialização, e fé. Logo depois, na adolescência o cientista se desenvolve e com ele a lógica, a racionalidade, crença condicional e a verdade absoluta. Finalmente vem a juventude do mago, que é responsável pela observação, crença incondicional, auto conhecimento e no relativismo. É basicamente aquela fase em que você olha pro abismo e ele te olha de volta e ainda diz "e aí meu mano" .

    Todos possuímos essas qualidades, mas uma delas sempre se sobressai, virando um traço marcante em nossa personalidade. Como quando um crente vai para o hospital, se medica e melhora. Ele acha que foi deus que soprou no ouvido do médico a cura para sua doença, não o tempo de estudo prévio que o médico teve. Nesse caso, o pensamento religioso predominante, faz com que o científico ache uma resposta plausível, de acordo com os parâmetros de sua forte religiosidade. Assim como se um físico visse uma bruxa se curando através de uma série de rituais, com suas plantas e seres mágicos. O físico diria que inicialmente a doença era psicossomática, e por aí vai.

    Outro capítulo interessante é o 3A, que focado em ciclos, que talvez você se familiarize com Æons ou paradigmas. Em livros anteriores, eu achei esse tema muito negligenciado, sempre foi uma breve menção e olhe lá. Mas o autor agrega bastante ao assunto, analisando os Æons passados (pelos seus cálculos seriam mais ou menos décadas) e como esses ciclos também passam pelo artista, religioso, cientista e mago. Então, pela sua linha de raciocínio, cada Æon tem como "tema" um desses, e depois que se passa pelos quatro, o ciclo se repete. Temos o exemplo do rápido desenvolvimento científico nos anos sessenta, e a fixação pelo sobrenatural e oculto da década seguinte. Esse capítulo pode ser um dos mais densos, mas ao mesmo tempo é imperdível. 

    Eu não poderia escrever essa resenha sem citar o capítulo a respeito de sacrifícios, esse é um dos mais interessantes. Uma vez alguém me falou como tudo o que é desejado - naturalmente, todos nós somos seres desejantes- exige um sacrifício. Se você quer dinheiro, sacrifica seu tempo, se quer comida, sacrifica seu dinheiro, etc. Os sacrifícios podem ser subjetivos ou aparentes. É subjetivo em religiões cristãs, onde se oferece tempo e abdicação de certos prazeres. É aparente no vodu, onde em muitos rituais, são oferecidos animais ou o próprio sofrimento (a partir da ingestão de pimentas próprias para a ritualística). Por isso gosto tanto desse capítulo, ele traz a tona essa noção e mostra maneiras do mago utilizar esses sacrifícios quando convém. 

    Chegando no fim, Dukes escreve algo que não pode faltar em livros de magia do Caos, que é a boa e velha reflexão a respeito de moralidade. Porém, o grande diferencial é que ele elabora sobre a moralidade existente no próprio mago, e é algo mais comum do que você pode imaginar. Mesmo depois de tantos anos na magia, magos podem ter dificuldades se desprender de pensamentos e conceitos baseados em pura moral. Afinal de contas, por pior que sejam, essas ideias são empurradas em nossas mentes sem mais nem menos desde pequenos. Então, para muitos magos, mudar esse tipo de pensamento é como reaprender a andar. Afinal, o mago está em um dilema, pois apesar de tentar se livrar da moral, ele precisa dela para conviver em sociedade, dessa forma, a única solução que encontram é eternamente usarem máscaras sociais, onde tira - com um certo receio - apenas para seus iguais.

    A última parte pode parecer chocante, por causa da maneira que o autor descreve o cristianismo como uma espécie de fascismo. Dukes, elabora que qualquer religião que exista um bem absoluto e incondicional, que exige que você lute contra um mal absoluto e incondicional, está fadado a um sistema baseado em perseguição e intolerância, pois ele dá aos seus fiéis uma "brecha" que pode ser usada para justificar todo o tipo de atrocidade que cometerem. Ou seja, fulano queimou ciclano na fogueira, para o redimir de seus pecados, dessa forma, fulano não está cometendo assassinato, apenas está "limpando" o mal da terra. Confesso que nunca tive essa reflexão, por isso considero essa como a cereja do bolo de um livro genial, que apesar de ter sido escrito há uns 40 anos, é revolucionário mesmo para os dias atuais.

O PDF desse livro (traduzido e em inglês) e outros está nesse grupo de Telegram: Gato Caótico

Sabia que eu faço divinação com oráculo há mais de 1o anos? Eu faço jogos com tarot, jogo da moedas e runas! Também faço feitiços para amor, saúde, prosperidade várias outras coisas! Caso tenha interesse me manda uma mensagem no Facebook, Morgana Soror para orçamentos!




segunda-feira, 10 de outubro de 2022

Prime Chaos

    E que rufem os tambores. Depois de anos de espera por parte de meus ansiosos leitores, eu (finalmente) trago os números da loteria! Não, na verdade é a resenha do Prime Chaos mesmo. Escrito pelo querido Phil Hine, um livro que nos entrega magia, polêmica e Lovecraft! Será que essa mistura tem como dar errado? Bem, talvez, mas isso vocês me falam depois de ler haha.

    Antes de tudo quero contextualizar um pouquinho. Phil Hine quando escreveu esse livro, era um mago jovem e ainda pegando os macetes, ele já desmentiu algumas coisas que disse no livro posteriormente. Sabe, isso na verdade é bem comum em muitos livros de magia do caos, e isso provavelmente acontece por que a magia do caos é uma coisa relativamente nova, apesar dela ter iniciado com Austin Osman Spare, as coisas ainda estavam meio embaçadas, pois é um sistema novo baseado em conceitos que até então eram pouco explorados. Por isso quando os jovens magos decidiram se aprofundar na magia do caos, eles tiveram que explorar e experimentar de tudo. Muitos conceitos ficaram, outros são discutidos e alguns descartados. Peter Carroll fez isso (mas não admitiu haha), Ray Sherwin também fez e Phil Hine não se exime. Por isso eu achei importante dar uma certa contextualização. Sendo assim eu não quero ninguém falando no meu ouvido "Ah Srta Gato Caótico mas em tal livro fulano disse isso e aquilo". Sério, se você quer usar esse tipo de argumento, vá atrás de algo que o autor falou posteriormente. Dito isso vamos lá!

    Os capítulos são imensos, por isso são divididos em subcapítulos. Na primeira parte "Entendendo Magia Prática", Hine fala do básico sobre alguns conceitos de magia do caos, entre eles está a necessidade de manter um diário mágico. Peter Carroll e Ray Sherwin já explicaram a importância de manter anotações sobre feitiços, meios e resultados. E realmente para todos tipos de magos, um diário pode ajudar a perceber mudanças ou erros. Falando por experiência própria, um diário mágico me ajudou principalmente em mudanças que me aconteceram através de rituais. Eu sei que pode parecer simplório, mas as vezes, mudamos tão naturalmente que é difícil de perceber se não tiver nenhum parâmetro. 

    No mesmo capítulo é falado a respeito sobre práticas diárias. Que são aquelas coisas que você treina todo dia quando começa na magia, como meditação, banimentos, e visualização. No fim das contas, magia é como qualquer prática. Se você tentar desenhar todo dia, uma hora suas mãos vão se mover tão naturalmente que poderá desenhar qualquer coisa que imaginar. Mas o que não é mostrado em muitos lugares é o problema da auto cobrança nesses casos. Como quando se enche de culpa por esquecer de fazer anotações ou de fazer banimento em um dia corrido, por isso é interessante como Phil mostra que a magia deve ser algo leve e comum. A beleza da magia do caos é que ela não é atrelada com uma religião que vai te mandar pro inferno se você se esquecer. Então o conselho do queridíssimo autor é: Não se cobre. Errar é humano e você não é nenhum alien!

    Dinâmicas da Feitiçaria é o trecho para você que quer montar seus feitiços e rituais de maneira mais funcional. Primeiro é falado sobre quebra de paradigma. Eu sei que você não aguenta mais esse assunto de tanto que já leu. Mas esse livro tem um diferencial que é a leveza que a magia é tratada. Outros autores acabam escrevendo como um manualzinho, que se deve seguir a risca. Particularmente acho que as dicas de Phill são as melhores em questão de quebra de paradigmas. 

    No mesmo capítulo é explicado sobre glamour, algo que infelizmente é muito comum na (porcaria da) comunidade mágica. Acontece com magos iniciantes a avançados. Vou exemplificar; você provavelmente já conheceu um mago que não é só um mago, ele é um sumo sacerdote supremo de uma religião de mais de mil anos desconhecida. Esse mago vai falar que os deuses vieram pessoalmente até ele para trazer a paz mundial ou qualquer coisa do gênero. Mas o mais engraçado é que quando você vê a vida desse mago, ele ainda está morando na casa da mãe e não consegue fazer amizades ou ter algum tipo de contato humano sem falar de seu super fodástico título para que tenham interesse nele. Então basicamente isso é um tipo de glamour. Um rótulo ou uma importância dada a algo ou alguém que não passa de uma ilusão de uma crença conjunta e frouxa. Então muitos magos acabam usando esse tipo de glamour, pois se sentem os todos poderosos por ter sucesso em uma invocação de alguma entidade. Por isso é importante ter atenção desde já, pois um ego grande traz resultados pequenos. O autor elabora ainda mais o tema no capítulo "Experimentos Dentro da Crença" falando sobre as limitações impostas por crenças. Porém o que brilha nesse capítulo mesmo é o mapeamento de ego que pode te ajudar a resolver os problemas citados. 

    Mas como nada é perfeito, Phil dá uma bostejada falando sobre Crowley em um livro de magia do caos (??). Apesar de muitos acharem que ele ajudou a criar a magia do caos, na verdade Spare já estava criando bem antes de conhecer o dito cujo. Então além de irrelevante, é errôneo o jeito que o autor fica endeusando o Crowley. Mas vou deixar isso a parte, na realidade depois de ler esse capítulo, eu tive uma reflexão sobre quebra de paradigmas.

    Inicialmente, o autor fala um pouco sobre autenticidade, na minha opinião, falar sobre autenticidade é um negócio meio complicado, pois geralmente, é mal interpretado por ser algo que varia muito, e acaba sendo mais como um sentimento. Existem pessoas que se sentem autênticas vivendo como um boêmio e viajando, assim como existem aqueles que tem o mesmo sentimento com uma vida confortável na frente de um computador. Então a minha conclusão é que experimentar coisas fora do convencional é bom, mas não se desespere se você não gostar. Isso não te faz pior ou melhor do que ninguém e quanto mais você buscar ser diferentão, mais seu senso de grandeza vai aumentar e isso com certeza só vai atrapalhar. E é isso que me faz ter algumas críticas por causa desse trecho do livro, o autor glorifica algo que ao meu ver não se deve ser glorificado. Não me entenda mal, eu acho bacana pessoas que tiveram coragem de fugir do convencional para viver de maneira única, mas a forma como é descrito só me faz pensar em quantas pessoas pagaram o pato para que Crowley pudesse viver sua "autenticidade". Tem um trecho que ele fala como Crowley adorava as deusas e desrespeitava sua esposa. Isso é ser autêntico? É discutível, mas particularmente penso que se deve viver com liberdade, mas sem que essa liberdade afete as pessoas que querem seu bem. Por exemplo; eu odeio meu emprego, aí eu me demito, só que ao invés de procurar outro antes ou mudar de carreira, eu largo meu emprego e vou viver as custas da minha mãe. Eu vou estar mais feliz não trabalhando? É provável, mas a minha mãe vai estar feliz sustentando marmanjo? Não. Então isso é bom refletir às vezes como as suas ações podem afetar pessoas queridas.

    Microaênico descreve uma visão de mundo surpreendentemente atual, considerando que o livro foi lançado há uns 20 anos. Phill usa o mesmo conceito de Æons que Peter Carroll, porém faz uma análise muito profunda sobre a sociedade mudando junto com a magia nos tempos modernos. Quando li pela primeira vez fiquei boquiaberta por um livro de magia trazer uma reflexão tão profunda e esclarecida sobre o assunto. Sistema viral, do mesmo capítulo também se deve ler com atenção. É bem escrito e bem elaborado. Tanto sistema viral quanto memes são trechos que não se aplica só no mundo da magia, mas você vai perceber que sua vida cotidiana é cercada por esses pequenos incômodos. É provável que se lembrará do post sobre fantasia e imaginação na magia.

    Enfim, eu falei sobre os trechos que mais me chamaram a atenção, mas o livro elabora muitos temas e não deixa dúvidas de tão bem escrito, então apesar de uma coisa ou outra, é um livro maravilhoso que com certeza tem muito a ensinar.

O PDF desse livro (traduzido e em inglês) e outros está nesse grupo de Telegram: Gato Caótico

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terça-feira, 20 de setembro de 2022

Hereditário - Parte 1


    
Hereditário é um filme de terror e suspense de 2018. É aquele tipo de filme em que você precisa desligar o celular e prestar 100% de atenção para pegar todas as pistas e referências que a princípio parecem irrelevantes, mas ajudam a ligar as peças para resolução. No começo do longa, a família Graham presta homenagens a avó em um funeral. E várias coisas estranhas já começam a acontecer. Annie, a filha da defunta, faz um discurso falando como a mãe dela é uma escrota, já que praticamente tinha uma vida paralela em segredo. Mas o que mais chama atenção, é como todos no recinto olham com admiração para Charlie, a filha mais nova de Annie. E um dia quando Charlie consome amendoins em uma festa que Peter, o filho mais velho a leva por ordem da mãe, Charlie acaba tendo sintomas de alergia. Peter entra em Pânico e coloca a menina no carro. O problema é que enquanto Peter acelera o mais rápido que consegue, Charlie abre a janela para tentar respirar por causa de sua garganta inchando e quando ela coloca a cabeça pra fora, bem nesse momento um poste passa, e com a velocidade do carro, a menina acaba sendo decapitada. Para resumir, no fim se descobre que a avó é realmente uma otária com a família toda, menos com Charlie, pois aparentemente a menina seria uma encarnação de Paimon, mas o culto que ela criou em vida quer passar o espírito de Paimon para Peter, pois o rei do inferno é masculino, e quando o ritual for completo, Paimon trará riqueza e sabedoria a todos do culto. O resto do filme passa com os ocultistas judiando do Peter e enlouquecendo Annie. No fim da tudo certo e eles conseguem colocar Paimon em Peter. O mais legal desse filme é que até quase o final, não dá pra saber se todos enlouqueceram ou se realmente é consequência da magia da ordem e de Paimon. Não vou me alongar muito, pois é possível achar um resumo ou análises desse filme em todo lugar.

    Ok, antes de falar mais sobre Goetia, eu gostaria de explicar um pouquinho sobre egrégora. Aí você chega e me pergunta "Sra. Gato Caótico, o que Goetia tem a ver com egrégora?" Então, na verdade tudo haha. Mas vou começar do começo, quando fiz aquele post sobre a imaginação na magia, cheguei a mencionar a respeito dessa rede neural compartilhada que possui informações sobre tudo. Então uma egrégora simplesmente cria um forte poder a partir de certos memes (memes no contexto mágico são aquelas fortes impressões que ordens, seitas, etc usam para convencer seus adeptos de forma que acreditem e se sintam parte de algo, geralmente contra alguém. Por exemplo, cultos cristãos são unidos para impedir que a palavra de satanás domine o mundo. E por aí vai), assim, seus adeptos vão criando uma grande corrente nessa rede neural com sua crença. Assim, acumula-se o poder da crença de muita gente e quanto mais adeptos, mais poder essa egrégora tem. Então quando um mago utiliza essa egrégora para seus feitiços, sua magia será impulsionada, pois o mago vai usar a força de uma porção de gente que crê nessa mesma egrégora, dessa forma a magia feita vai trabalhar melhor e mais rápido do que se fosse apenas a fé de uma única pessoa. Então, como mago(a) do Caos, pense na egrégora como um impulso amigo, e se você souber trabalhar adequadamente, sua magia vai ter resultados bem maiores.

    Infelizmente vou ser a portadora de más notícias; a Goetia de fato utiliza a egrégora cristã em seus rituais e e vou mostrar as razões. Apesar de quase todos os demônios serem entidades "roubadas" de religiões pagãs, os nomes, hierarquias e a forma com que são cultuados acabam ressiginificando sua forma, aparência e personalidade, assim, antes os gloriosos deuses, acabam se tornando gloriosos demônios (outro termo que acabou se ressiginificando por causa do cristianismo), por isso apesar de originalmente serem deuses, quando são cultuados como demônios, se mostram como tal. Não me entenda mal, eu não vejo nada de errado em cultuar demônios dessa forma, se é algo que você deseja, vá em frente, afinal de contas, magia do caos é sobre liberdade. Apenas quero que o leitor tenha noção sobre com o que está lidando. Seguindo, apesar de grande parte dos magos de Goetia falarem que não utilizam a cultura cristã, os mesmos acabam invocando anjos para sua proteção. Aí você chega e fala "A Srta. Gato Caótico fuma crack? Os magos de Goetia estão contra a religião cristã!" Então, quando você vai contra a moralidade de uma egrégora, de certa forma se segue a mesma pois pra ter algo que se vai contra, você segue certas regras para ir contra, então um mago praticante de Goetia certamente é imoral (perceba que imoral não é o mesmo que amoral. Magos do caos costumam ser amorais). E também não existe problema nisso, mas realmente é uma tremenda falácia falar que Goetia está totalmente a parte da egrégora cristã, ok?

     Goetia significa literalmente "Sussurro" já que se deve evocar (favor não invocar) os demônios sussurrando. A Goetia, com esse nome, é datado lá pelo século XV, mas suas técnicas tem mais de três mil anos. Há uma certa polêmica entre os magos atualmente se o livro realmente foi criado pelo rei Salomão, mas é bem provável que a Goetia faz alusão a metodologia do rei. Segundo os mitos, Salomão ordenou que os demônios ajudassem a construir seu famoso templo. Dizem que o templo era criado tanto para o culto cristão, tanto para evocar demônios. Quando os templários invadiram, encontraram passagens secretas por toda a parte, mas apesar de tudo, pouco se sabe o que realmente estava escondido lá. Com o tempo, e o crescimento do cristianismo a arte de evocar demônios acabou sendo proibida pela igreja, a não ser se você fosse um bispo, papa ou algo assim. Por isso existem uma porção de grimórios feitos pela igreja católica ensinando como trabalhar com esse tipo de entidade.

*Essa postagem faz análise de uma Goetia mais clássica, não usei como referência livros recentes*

    Algo interessante que eu descobri em minhas pesquisas é como a tratativa com demônios varia, os grimórios da igreja católica meio que tratam eles na base da ameaça, algo como "Se você não fizer o que estou mandando, vai ver papai do céu pessoalmente", quando Goetia se torna algo relativamente mais independente, aconselham que a tratativa com o demônio seja algo mais de igual pra igual, agora os mais recentes são tipo "por favor senhor demônio, faça aquilo que seu humilde servo pede". Sinceramente, a última maneira é a menos eficaz. Se você leu Magia Pós Moderna, deve se lembrar do capítulo referente a autoridade mágica. Em absolutamente nenhuma situação, se deve agir como inferior a uma entidade, se você agir como indigno, te tratarão como tal. Principalmente com demônios. É de senso comum que demônios são um pouco difíceis de lidar, tem lábia, estão sempre dispostos a barganha e ganhar mais. Ou seja, se você age como trouxa, eles não vão exitar em te passar a perna. Além disso, eles são aquele tipo de entidade em que você precisa ser realmente muito específico para conseguir o que quer. Caso contrário, é bem possível que tenha consequências desastrosas. Uma maga que conheço, chegou a trabalhar anos com Astaroth, que aparentemente sempre deu o que foi pedido e tratou a mesma com toda gentileza. Sempre foi tudo muito bom, o acordo dela foi para ganhar um bom salário, de fato ela ganhou um bom salário e por um bom tempo. Só que algo acontecia todo mês, emergências fora de seu controle em que a maga precisava resolver com seu rico dinheirinho. No fim das contas ela finalmente desistiu de trabalhar com Astaroth. Sim, seu salário realmente reduziu, porém seu dinheiro começou a de fato render, essas malucas emergências desapareçam e ela pôde desfrutar de sua prosperidade de verdade. Então, a moral da história é: se for lidar com qualquer ser mágico, e isso obviamente incluí demônios, você precisa ser bem específico e atento a sua vida, e se realmente está valendo a pena seu trabalho com essa entidade. Sabe, como eu disse antes, demônios podem ser difíceis de lidar, pois apesar de serem seres baseados em deuses de outras culturas, a egrégora em que se trabalha faz com que sejam naturalmente voláteis. Na verdade grande parte dos magos mais experientes dificilmente indicam a Goetia, geralmente se querem trabalhar com algum ser dessa cultura, preferem lidar com o ser originário, ou seja, com o deus, antes de ser absorvido pela Goetia.

    Mas, depois da minha elaboração, você ainda pode querer jogar tudo pro alto e trabalhar com esses seres tão fascinantes. Eu respeito isso. Meu conselho é que estude ao máximo para ter realmente tudo o que precisa para chegar ao sucesso! Então vou recomendar alguns livros muito bons. Sem dúvidas não posso deixar de mencionar o livro "The Goetia of Dr Rudd" de Stephen Skinner e David Rankine, é um livro absurdamente longo? É. Mas ele vai te entregar literalmente tudo o que você precisa saber sobre Goetia, o livro contém uma detalhada explicação sobre a história da Goetia, explicações sobre cada mísero demônio e também como lidar com cada um, então apesar do livro ser extenso, a leitura flui que você nem percebe. Então faça um favor para si mesmo e não seja um mago preguiçoso. Outro livro bom é o "Dictionnaire Infernal", é um dicionário com todo tipo de termo da Goetia, então ele pode ser de grande ajuda caso você ainda for iniciante. Se você está interessado em Goetia de acordo com a igreja católica, aí eu recomendo o "Grimório do Papa Honorus", esse é realmente bem completo em questão de preparação, em contrapartida, o mesmo não possui uma explicação tão extensa a respeito dos demônios, então se decidir ir a esse método, use como referência as explicações "The Goetia of Dr. Rudd". Um mais recente é o "The Complet Book of Demonolatry", de S. Connolly. Esse livro contém maravilhosos esclarecimentos sobre termos que confundem magos iniciantes, sinceramente é bem valioso, pois é um conteúdo dificilmente encontrado. Porém não vou mentir para vocês, eu descobri um livro que comumente é utilizado por magos iniciantes, o "Demons of Magick" é um dos piores livros que eu já li. Me desculpa ser tão direta, mas o livro tem um conteúdo que um amigo denomina como "Magia de receita de bolo". Ele não te explica como ou porque você deve fazer isso, ele simplesmente diz "Faça!". Sério, você precisa fugir desse tipo de livro (Por favor, não confie em qualquer tipo de livro que ao invés de falar o porquê, simplesmente te diz um por que sim, esses livros nunca cumprem o que prometem). De começo ele pode parecer tentador, afinal de contas é um livro bem curto e que exige pouco estudo e esforço. Até aí tudo legal, só que quando algo realmente der errado e fugir do seu controle, o que você vai fazer? Afinal de contas pouco conhecimento é resultado de pouco estudo. Então vou repetir, me faça um favor e não seja um mago preguiçoso, deixa a preguiça para os cristãos que lêem um único livro a vida toda! Com isso em mente, eu recomendo também o "The Book of Oberon" de Daniel Harms, James R. Clark e Joseph H. Peterson, ele não é um livro muito "Praticável" mas vale muito o estudo, e esse em específico, não se trata apenas sobre Goetia, ele conta com o estudo de uma série de entidades que você muito provavelmente vai se interessar!

O PDF de todos os livros que citei estão nesse grupo de Telegram: Gato Caótico, também vou colocar o link de um vídeo com uma análise completa sobre o filme.

Enquanto não termino a tradução do Prime Chaos, vou entregar esse tipo de conteúdo para vocês. Se vocês puderem escolher algumas opções deste formulário com possíveis alternativas para as próximas postagens me deixariam bem feliz. Ele é anônimo.

    Sabia que eu faço divinação com oráculo há mais de 1o anos? Eu faço jogos com tarot, jogo da moedas e runas! Também faço feitiços para amor, saúde, prosperidade várias outras coisas! Caso tenha interesse me manda uma mensagem no Facebook, Morgana Soror para orçamentos!






terça-feira, 6 de setembro de 2022

Tomie

    Apesar de raramente mencionar, sou fascinada pelo trabalho de Junji Ito, que por muitos é considerado o mestre do horror em mangás. Uma das primeiras obras que li foi Tomie, onde conta a história de uma moça que consegue seduzir todos os homens em seu caminho, mas a sua influência sobre eles faz com que enlouqueçam e a matem. Uma série inspirada em Tomie se chama Garota de Fora, é um pouco menos bizarra, mas sem dúvidas é ótima, Nanno, assim como Tomie são agentes Karmicas imortais, além de testar os limites humanos, geralmente os levam a loucura. Recentemente o mangá voltou a ter notoriedade entre os jovens pois a personagem principal é considerada um ícone feminista no horror, quando se considera a pouca variedade de monstros, bestas e assassinos mulheres na cultura popular do terror. Outro ponto importante da sua popularidade é a maneira como as ilustrações na obra são incrivelmente bem desenhadas e ao mesmo tempo perturbadoras. Eu realmente amo Tomie!

    O primeiro capítulo narra a história de uma estudante de ensino médio que tem um caso com o seu professor. Quando seu namorado descobre, acaba a matando sem querer em uma excursão escolar. Então, juntamente com o professor, decidem esquarteja-la, de forma com que cada estudante possa ter um pedaço dela e se livrar como entender. No dia seguinte, os estudantes se chocam com a aparição da aluna, viva e agindo como se não houvesse nada de errado. Essa aluna não é ninguém menos que Tomie. Todos os envolvidos são levados a loucura, somente pela sua simples aparição, alguns chegam até mesmo ao suicídio. 

    O mangá tem várias outras histórias, mas acho que vocês sacaram mais ou menos como funciona. Apesar de falar que não possuí inspirações específicas para a criação de suas obras, podemos encontrar algumas referências a seres mitológicos na personagem. A princípio achei que uma das maiores inspirações de Tomie foi a deusa Afrodite, pois a protagonista tem um orgulho extremo sobre a sua beleza, chegando a castigar cruelmente todos aqueles que a desafiam. Um conto marcante é o de Eros e Psiquê, que narra a história de uma donzela absolutamente deslumbrante, muitos diziam que seus dotes eram superiores até mesmo ao da própria deusa da beleza. Quando Afrodite descobriu, ficou tão furiosa que fez um oráculo profetizar que Psiquê deveria se casar com um terrível monstro. Assim como Tomie que quando uma fotógrafa tira fotos dela, as mesmas ficaram aterrorizantes, pois fotos e desenhos, conseguem capturar a verdade natureza bizarra da personagem. Assim, Tomie persegue a fotógrafa enlouquecendo todos a sua volta, inclusive o namorado da menina. O mesmo acaba adoecendo e morrendo. Depois de algum tempo de pesquisa foi possível perceber a semelhança com uma deusa hindu e budista, mas que acabou tendo notoriedade em grande parte da Ásia, seu nome é Kurukulla, uma divindade tribal muito cultuada. Conhecida como "aquela que é a causa do conhecimento". É uma deusa ligada a bruxaria, sabedoria, fertilidade, amor, como também a subjulgação de inimigos. Kurukulla é retratada como uma mulher voluptuosa de dezesseis anos, com a pele vermelha, segura um arco e flecha para representar a qualidade de deusa da paixão. Assim como possui uma feição feroz, vestida com um cinto de cabeças semi cortadas, ainda pingando sangue fresco, as vezes também usa uma saia com pele de tigre. Kurukulla geralmente é retratada dançando sob o cadáver de um demônio, para representar a sua capacidade de ira e subjulgação. Rituais com Kurukulla são relativamente avançados, muitos budistas aconselham um certo tempo de preparo antes de entrar em contato com a divindade. Pois apesar de ser uma deusa de amor e sabedoria, a deusa pode causar o caos em sua vida, isso por causa de sua habilidade de trazer o conhecimento, pois antes da dádiva, vem o aprendizado, seja ele bom ou mal. Em muitas construções de templo são feitas ritualísticas para que a deusa auxilie com sua sabedoria. No caso de Tomie, a personagem pega tanto a atração sexual da deusa, quanto a habilidade de subjulgar seus inimigos. Em muitos capítulos é possível enxergar Tomie como um ser que testa e pune a humanidade. A própria já admitiu não ter algum tipo de raiva generalizada por homens.

    Por fim, a principal principal inspiração da personagem, sem dúvidas foi o Onryo, um tipo de "fantasma" do folclore de algumas partes do Japão. A tradução para essa palavra é algo em torno de "Espíritos Irados", "Espíritos de Ódio" ou "Espírito de vingança" Mas só pelo nome é possível saber que coisa boa não é. Onryo as vezes são retratados como mulheres injustiçadas que buscam vingança. Esse tipo de entidade tem o poder de afetar diretamente o mundo de e causar todo tipo de catástrofe. Isso provavelmente explicaria o motivo que faz aqueles que se aproximam de Tomie sentem uma vontade absurda de corta-la em pedaços, talvez em sua vida como humana, um homem sentiu pela garota uma paixão tão absurda e obsessiva que chegou a mata-la, esquartejando e escondendo seus restos. Mas isso é só especulação, considerando que sua origem nunca foi narrada no mangá. Enfim, apesar de nenhuma dessas entidades terem sido confirmadas como referência, é possível encontrar certas impressões em comum que autor pode propositalmente (ou não) ter se influenciado.

    Enquanto não termino a tradução do Prime Chaos, vou entregar esse tipo de conteúdo para vocês. Se vocês puderem escolher algumas opções deste formulário com possíveis alternativas para as próximas postagens me deixariam bem feliz. Ele é anônimo.

    Sabia que eu faço divinação com oráculo há mais de 1o anos? Eu faço jogos com tarot, jogo da moedas e runas! Também faço feitiços para amor, saúde, prosperidade várias outras coisas! Caso tenha interesse me manda uma mensagem no Facebook, Morgana Soror para orçamentos!

Junji Ito, Tomie, Manga,Afrodite,Kurukulla,Onryo,Japão,Cultura Pop


Mago Pobre, Fudido e sem Linhagem, Pode?

     Brincadeiras a parte, eu realmente vejo a necessidade de falar sobre um assunto sério e geralmente pouco elaborado, esse problema não a...