Antes de tudo quero contextualizar um pouquinho. Phil Hine quando escreveu esse livro, era um mago jovem e ainda pegando os macetes, ele já desmentiu algumas coisas que disse no livro posteriormente. Sabe, isso na verdade é bem comum em muitos livros de magia do caos, e isso provavelmente acontece por que a magia do caos é uma coisa relativamente nova, apesar dela ter iniciado com Austin Osman Spare, as coisas ainda estavam meio embaçadas, pois é um sistema novo baseado em conceitos que até então eram pouco explorados. Por isso quando os jovens magos decidiram se aprofundar na magia do caos, eles tiveram que explorar e experimentar de tudo. Muitos conceitos ficaram, outros são discutidos e alguns descartados. Peter Carroll fez isso (mas não admitiu haha), Ray Sherwin também fez e Phil Hine não se exime. Por isso eu achei importante dar uma certa contextualização. Sendo assim eu não quero ninguém falando no meu ouvido "Ah Srta Gato Caótico mas em tal livro fulano disse isso e aquilo". Sério, se você quer usar esse tipo de argumento, vá atrás de algo que o autor falou posteriormente. Dito isso vamos lá!
Os capítulos são imensos, por isso são divididos em subcapítulos. Na primeira parte "Entendendo Magia Prática", Hine fala do básico sobre alguns conceitos de magia do caos, entre eles está a necessidade de manter um diário mágico. Peter Carroll e Ray Sherwin já explicaram a importância de manter anotações sobre feitiços, meios e resultados. E realmente para todos tipos de magos, um diário pode ajudar a perceber mudanças ou erros. Falando por experiência própria, um diário mágico me ajudou principalmente em mudanças que me aconteceram através de rituais. Eu sei que pode parecer simplório, mas as vezes, mudamos tão naturalmente que é difícil de perceber se não tiver nenhum parâmetro.
No mesmo capítulo é falado a respeito sobre práticas diárias. Que são aquelas coisas que você treina todo dia quando começa na magia, como meditação, banimentos, e visualização. No fim das contas, magia é como qualquer prática. Se você tentar desenhar todo dia, uma hora suas mãos vão se mover tão naturalmente que poderá desenhar qualquer coisa que imaginar. Mas o que não é mostrado em muitos lugares é o problema da auto cobrança nesses casos. Como quando se enche de culpa por esquecer de fazer anotações ou de fazer banimento em um dia corrido, por isso é interessante como Phil mostra que a magia deve ser algo leve e comum. A beleza da magia do caos é que ela não é atrelada com uma religião que vai te mandar pro inferno se você se esquecer. Então o conselho do queridíssimo autor é: Não se cobre. Errar é humano e você não é nenhum alien!
Dinâmicas da Feitiçaria é o trecho para você que quer montar seus feitiços e rituais de maneira mais funcional. Primeiro é falado sobre quebra de paradigma. Eu sei que você não aguenta mais esse assunto de tanto que já leu. Mas esse livro tem um diferencial que é a leveza que a magia é tratada. Outros autores acabam escrevendo como um manualzinho, que se deve seguir a risca. Particularmente acho que as dicas de Phill são as melhores em questão de quebra de paradigmas.
No mesmo capítulo é explicado sobre glamour, algo que infelizmente é muito comum na (porcaria da) comunidade mágica. Acontece com magos iniciantes a avançados. Vou exemplificar; você provavelmente já conheceu um mago que não é só um mago, ele é um sumo sacerdote supremo de uma religião de mais de mil anos desconhecida. Esse mago vai falar que os deuses vieram pessoalmente até ele para trazer a paz mundial ou qualquer coisa do gênero. Mas o mais engraçado é que quando você vê a vida desse mago, ele ainda está morando na casa da mãe e não consegue fazer amizades ou ter algum tipo de contato humano sem falar de seu super fodástico título para que tenham interesse nele. Então basicamente isso é um tipo de glamour. Um rótulo ou uma importância dada a algo ou alguém que não passa de uma ilusão de uma crença conjunta e frouxa. Então muitos magos acabam usando esse tipo de glamour, pois se sentem os todos poderosos por ter sucesso em uma invocação de alguma entidade. Por isso é importante ter atenção desde já, pois um ego grande traz resultados pequenos. O autor elabora ainda mais o tema no capítulo "Experimentos Dentro da Crença" falando sobre as limitações impostas por crenças. Porém o que brilha nesse capítulo mesmo é o mapeamento de ego que pode te ajudar a resolver os problemas citados.
Mas como nada é perfeito, Phil dá uma bostejada falando sobre Crowley em um livro de magia do caos (??). Apesar de muitos acharem que ele ajudou a criar a magia do caos, na verdade Spare já estava criando bem antes de conhecer o dito cujo. Então além de irrelevante, é errôneo o jeito que o autor fica endeusando o Crowley. Mas vou deixar isso a parte, na realidade depois de ler esse capítulo, eu tive uma reflexão sobre quebra de paradigmas.
Inicialmente, o autor fala um pouco sobre autenticidade, na minha opinião, falar sobre autenticidade é um negócio meio complicado, pois geralmente, é mal interpretado por ser algo que varia muito, e acaba sendo mais como um sentimento. Existem pessoas que se sentem autênticas vivendo como um boêmio e viajando, assim como existem aqueles que tem o mesmo sentimento com uma vida confortável na frente de um computador. Então a minha conclusão é que experimentar coisas fora do convencional é bom, mas não se desespere se você não gostar. Isso não te faz pior ou melhor do que ninguém e quanto mais você buscar ser diferentão, mais seu senso de grandeza vai aumentar e isso com certeza só vai atrapalhar. E é isso que me faz ter algumas críticas por causa desse trecho do livro, o autor glorifica algo que ao meu ver não se deve ser glorificado. Não me entenda mal, eu acho bacana pessoas que tiveram coragem de fugir do convencional para viver de maneira única, mas a forma como é descrito só me faz pensar em quantas pessoas pagaram o pato para que Crowley pudesse viver sua "autenticidade". Tem um trecho que ele fala como Crowley adorava as deusas e desrespeitava sua esposa. Isso é ser autêntico? É discutível, mas particularmente penso que se deve viver com liberdade, mas sem que essa liberdade afete as pessoas que querem seu bem. Por exemplo; eu odeio meu emprego, aí eu me demito, só que ao invés de procurar outro antes ou mudar de carreira, eu largo meu emprego e vou viver as custas da minha mãe. Eu vou estar mais feliz não trabalhando? É provável, mas a minha mãe vai estar feliz sustentando marmanjo? Não. Então isso é bom refletir às vezes como as suas ações podem afetar pessoas queridas.
Microaênico descreve uma visão de mundo surpreendentemente atual, considerando que o livro foi lançado há uns 20 anos. Phill usa o mesmo conceito de Æons que Peter Carroll, porém faz uma análise muito profunda sobre a sociedade mudando junto com a magia nos tempos modernos. Quando li pela primeira vez fiquei boquiaberta por um livro de magia trazer uma reflexão tão profunda e esclarecida sobre o assunto. Sistema viral, do mesmo capítulo também se deve ler com atenção. É bem escrito e bem elaborado. Tanto sistema viral quanto memes são trechos que não se aplica só no mundo da magia, mas você vai perceber que sua vida cotidiana é cercada por esses pequenos incômodos. É provável que se lembrará do post sobre fantasia e imaginação na magia.
Enfim, eu falei sobre os trechos que mais me chamaram a atenção, mas o livro elabora muitos temas e não deixa dúvidas de tão bem escrito, então apesar de uma coisa ou outra, é um livro maravilhoso que com certeza tem muito a ensinar.
O PDF desse livro (traduzido e em inglês) e outros está nesse grupo de Telegram: Gato Caótico
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